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Museu da Misericórdia conta legado da Bahia e do Brasil

Quinta, 15 Dezembro 2016

Museu da Misericórdia conta legado da Bahia e do Brasil

Acervo do espaço cultural contextualiza 467 anos de história

Quem passa em frente ao imponente palacete do século XVII, situado entre a Praça Municipal e a Praça da Cruz Caída, pode não imaginar que aquelas paredes guardam parte expressiva da história da Bahia e do Brasil. Em cada um dos corredores e salões do Museu da Misericórdia, repletos de painéis, telas, alfaias, imaginárias e mobiliários, há algo que reconte eventos de saúde, políticos e sociais da cidade de Salvador.

A catarinense Sandra Coelho revela a grata surpresa que teve ao resolver visitar o museu de última hora. "Não tinha a intenção de conhecê-lo, mas valeu muito a pena. Excepcional!", afirma.
Espaço cultural da Santa Casa da Bahia, o Museu da Misericórdia foi fundado em 2006. O local já abrigou o Hospital da Caridade, primeira unidade de saúde do estado, cuja história começa no mesmo ano em que nasceu a capital baiana, em 1549. A trajetória do hospital e as posteriores atividades de assistência social e educação implantadas no local pela Santa Casa ao longo dos séculos estão registradas no Museu da Misericórdia.

O acervo, composto por mais de 3 mil peças catalogadas, contextualizam uma narrativa histórica de quase 500 anos. Destaque para os azulejos de 1712 que reproduzem a Procissão do Fogaréu, que a Irmandade da Santa Casa da Bahia realizava na noite de Quinta-Feira Santa, bem como a Farmácia, armário de 1867, exclusivamente construído para armazenar frascos com substâncias farmacêuticas do Hospital da Caridade. O Museu da Misericórdia também possui o primeiro carro movido a gasolina da Bahia e o mais antigo em exposição no Brasil.

"As peças refletem um modo de pensar, hábitos e costumes de um Brasil e uma Bahia de outrora, o que nos permite realizar ações socioculturais e educativas voltadas para diferentes públicos. Tudo neste museu fala, tudo neste museu conta uma história. Tudo aqui reflete um pouco de quem somos e fortalece nossa identidade cultural", afirma Osvaldina Cezar, museóloga do Museu da Misericórdia.

Campo de muitas pesquisas acadêmicas, o espaço cultural possui ainda uma sala com quadros do pintor barroco José Joaquim da Rocha que retratam a Paixão de Cristo e a Loggia, espaço arquitetônico de características européias com um rico trabalho de embrechado em quatro tipos de mármore, o que conferiu ao Museu da Misericórdia o tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938. Uma réplica da primeira Roda dos Expostos do Brasil, implantada pela Santa Casa da Bahia em 1734 também compõe a secular coleção.

Algumas obras também possuem relação com personalidades históricas como a cadeira feita exclusivamente para a visita de D. Pedro II, em 1859, e a escrivaninha de Ruy Barbosa, que foi funcionário da Santa Casa da Bahia. Baianos e turistas acumulam elogios em sites de turismo, sobre o estado de conservação do espaço, a beleza das peças e a qualidade da visita guiada, o que rende ao Museu da Misericórdia certificações anuais.

"O tour é bastante interessante e rico em detalhes sobre a história de Salvador e do nosso país. Vale muito a pena destinar um tempo para conhecê-lo", afirma a carioca Cláudia Vasconcellos.
Moradora de Salvador, Wania Costa pretende voltar ao Museu e destaca o valor artístico e histórico do espaço. "Dentro dessas paredes, há obras do chão ao teto. Cada sala visitada tem alma própria. Além disso, os monitores são muito gentis e competentes. O preço do ingresso não paga tanta beleza", afirma.

O Museu da Misericórdia funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30, aos sábados, das 9h às 17h, e nos feriados, das 9h às 13h. Os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Visitas de grupos escolares precisam ser agendadas. Endereço: Rua da Misericórdia, nº 6. Praça da Sé. Mais informações: 71 2203-9830/9832.